Conversores DC/DC

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    Como escolher um conversor CC/CC em três decisões

    Um conversor CC/CC recebe uma tensão contínua e entrega outra tensão contínua, regulada e estável, mesmo quando a entrada oscila. É o componente que permite alimentar um sensor de 5 Vcc a partir do barramento de 24 Vcc do painel, ou tirar 12 Vcc de um banco de 48 Vcc em um rack de telecom — sem depender da rede em corrente alternada.

    Escolher o modelo certo se resume a três perguntas, nesta ordem: de qual tensão para qual tensão, com ou sem isolação galvânica e em que formato de montagem. Potência e proteções vêm depois — elas restringem a lista, mas não definem a família. As seções abaixo respondem cada uma delas com o que existe no catálogo Mean Well.

    De qual tensão para qual tensão: entrada e saída

    Conversores CC/CC não trabalham com um valor fixo de entrada, e sim com uma faixa. Um modelo de 24 Vcc nominais aceita, na prática, algo como 18 a 36 Vcc — margem que existe justamente para absorver queda de cabo, variação de bateria e afundamento momentâneo. Por isso a especificação correta parte da faixa, não do número redondo.

    As faixas de entrada mais usadas no catálogo, e o que cada uma cobre:

    Faixa de entrada Barramento nominal Onde aparece
    9 a 18 Vcc 12 Vcc veicular, embarcado, painéis pequenos
    18 a 36 Vcc 24 Vcc automação industrial, CLP, instrumentação
    36 a 72 Vcc / 36 a 75 Vcc 48 Vcc telecom, rack, sistemas com banco de baterias
    9 a 36 Vcc / 9 a 75 Vcc / 18 a 75 Vcc faixa larga (2:1 e 4:1) quando a entrada é incerta ou varia muito
    8,5 a 160 Vcc / 14 a 160 Vcc / 40 a 160 Vcc ferroviário material rodante, sinalização
    150 a 1500 Vcc string fotovoltaica alimentação auxiliar a partir do barramento CC solar

    Do lado da saída, as tensões mais presentes no catálogo são 12 Vcc, 5 Vcc, 15 Vcc, 24 Vcc, 48 Vcc e 3,3 Vcc. Há saída única e saída dupla — esta última entrega tensões simétricas como ±5, ±12 ou ±15 Vcc, usadas para alimentar amplificadores operacionais, condicionadores de sinal e cadeias analógicas que precisam de referência positiva e negativa.

    Combinações que aparecem com mais frequência nos projetos:

    • 48 Vcc para 12 Vcc — rack de telecom alimentando equipamento de 12 Vcc; procure entrada 36 a 72 Vcc.
    • 24 Vcc para 5 Vcc — barramento de painel alimentando eletrônica digital; entrada 18 a 36 Vcc.
    • 24 Vcc para 12 Vcc — câmeras, rádios e periféricos dentro de um painel de 24 Vcc.
    • 12 Vcc para 5 Vcc — placa embarcada a partir de bateria automotiva.
    • 12 Vcc para 24 Vcc — elevação de tensão para acionar componente de 24 Vcc onde só há 12 Vcc disponíveis.

    Elevar tensão é possível e comum: o conversor não precisa reduzir. O que importa é que a faixa de entrada declarada contenha a tensão real do seu barramento, com folga nas duas pontas.

    Isolado ou não isolado: quando a isolação é obrigatória

    No conversor isolado, entrada e saída não compartilham referência: há uma barreira galvânica entre os dois lados. No não isolado, o negativo é comum. A diferença deixa de ser detalhe e vira requisito em três situações:

    • Quebra de laço de terra. Quando entrada e saída ficam em pontos distantes da instalação, a diferença de potencial entre os terras faz circular corrente pela malha de sinal. A isolação corta esse caminho.
    • Proteção da eletrônica de medição. Em condicionamento de sinal e interface com campo, a barreira impede que um surto no lado da alimentação alcance a cadeia de medida.
    • Exigência normativa. Aplicações ferroviárias e de instrumentação frequentemente especificam isolação mínima em projeto.

    Se nada disso se aplica — a conversão é local, na mesma placa, com terra único — o modelo não isolado costuma ser menor, mais barato e mais eficiente. O catálogo tem as duas construções, com predominância dos isolados.

    Vale separar isolado de regulado, que são coisas diferentes. O conversor não regulado entrega uma saída que acompanha a variação da entrada segundo uma relação fixa; serve para alimentar cargas tolerantes, tipicamente em 1 W. O regulado mantém a saída estável ao longo de toda a faixa de entrada, e é o que se usa quando há eletrônica sensível na ponta. A maior parte do catálogo é regulada.

    Formato de montagem: módulo, caixa fechada, trilho DIN e brick

    O formato é decidido por onde o conversor vai morar, não pela eletrônica. São quatro construções no catálogo:

    Formato Como monta Faixa típica
    Módulo encapsulado (DIP, SIP, SMD) soldado direto na placa 1 a 40 W
    Aberto / PCB fixado em chassi, sem invólucro 10 a 100 W
    Caixa fechada parafusado em painel ou base 30 a 960 W
    Trilho DIN encaixe em trilho de 35 mm 15 a 480 W
    Brick / half-brick base padronizada em placa 100 W para cima

    Mais da metade do catálogo é de módulos encapsulados — a construção de quem projeta placa e quer a conversão embutida no produto. Já para painel elétrico, a escolha natural é o trilho DIN: ele fica ao lado dos disjuntores e bornes, não exige furação e permite trocar a unidade sem desmontar o painel. É a família mais procurada da categoria, e cobre de 15 W a 480 W. Acima disso, a construção disponível é a caixa fechada, que chega a 960 W e 1008 W.

    Quem monta em placa encontra os modelos em conversores abertos / PCB; quem monta em painel ou base, em conversores com caixa fechada. Se a alimentação vem da rede em corrente alternada e não de um barramento CC, o produto correto não é este — são as fontes CA/CC.

    Como dimensionar: potência, derating e corrente de partida

    A potência nominal impressa no modelo vale nas condições de ensaio do fabricante. Na instalação real, três fatores reduzem o que a peça de fato entrega:

    • Temperatura. Acima de certo ponto, todo conversor entra em derating: a potência disponível cai conforme a temperatura ambiente sobe. Dentro de um painel fechado exposto ao sol, a temperatura interna passa com folga da temperatura da sala.
    • Corrente de partida. Cargas capacitivas puxam, no instante de energizar, muito mais corrente do que em regime. Dimensionar pela corrente de regime é o erro mais comum e o que mais provoca desarme intermitente na energização.
    • Margem de projeto. Trabalhar no limite encurta a vida útil dos capacitores. Uma folga de 20% a 30% sobre a carga contínua é a prática que se sustenta em campo.

    O caminho prático: some a corrente contínua de todas as cargas, aplique a folga, verifique o pico de partida e só então confira o gráfico de derating para a temperatura em que o painel realmente opera — não para 25 °C. Se o resultado ficar entre duas potências do catálogo, suba.

    Séries para aplicação crítica: ferroviária, fotovoltaica e alta potência

    Três linhas do catálogo resolvem problemas que os modelos de uso geral não atendem:

    • Ferroviária. Modelos das séries RSD, RSDW e RDDW são projetados para material rodante, com faixas de entrada muito largas (de 8,5 a 160 Vcc, conforme o modelo) e conformidade com as normas EN 50155 e EN 45545-2, que tratam de equipamento eletrônico embarcado e de comportamento ao fogo. O RSD-100C-12, de 100 W e saída 12 Vcc, é um representante típico da faixa.
    • Fotovoltaica. A série DDRH aceita entrada de 150 a 1500 Vcc e existe para alimentar cargas auxiliares diretamente do barramento CC de uma string solar, sem precisar de um transformador ou de uma alimentação em corrente alternada separada. O DDRH-15-15P entrega 15 W em 15 Vcc a partir dessa faixa.
    • Alta potência. Para cargas acima de algumas centenas de watts, há modelos em caixa fechada que chegam a 960 W e 1008 W, como o SD-1000H-48, de 48 Vcc e 21 A.

    Como ler o código do modelo Mean Well

    A nomenclatura carrega a especificação, e saber lê-la evita comprar o modelo errado por um caractere. Tomando o DDR-120B-12 como exemplo:

    • DDR — família: conversor CC/CC para trilho DIN.
    • 120 — potência de saída em watts.
    • B — faixa de entrada. Na série DDR: A = 9 a 18 Vcc (barramento de 12 Vcc), B = 16,8 a 33,6 Vcc (24 Vcc), C = 33,6 a 67,2 Vcc (48 Vcc), D = 67,2 a 154 Vcc (110 Vcc), G = 9 a 36 Vcc e L = 18 a 75 Vcc (as duas de faixa larga).
    • 12 — tensão de saída em Vcc.

    Ou seja: DDR-120B-12 é um conversor de trilho DIN, 120 W, que recebe um barramento de 24 Vcc e entrega 12 Vcc. Trocar o B por C muda a entrada para 48 Vcc — mesma potência, mesma saída, aplicação completamente diferente. Vale conferir essa letra antes de fechar o pedido.

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre conversor CC/CC isolado e não isolado?

    No isolado há barreira galvânica entre entrada e saída, que não compartilham referência de terra. No não isolado o negativo é comum aos dois lados. Use isolado quando entrada e saída estiverem em pontos distantes da instalação, quando houver eletrônica de medição a proteger ou quando a norma da aplicação exigir. Nos demais casos, o não isolado é menor e mais eficiente.

    Como converter 48 Vcc para 12 Vcc?

    Procure um conversor CC/CC com faixa de entrada de 36 a 72 Vcc ou de 36 a 75 Vcc — são as faixas que contêm um barramento nominal de 48 Vcc com margem — e saída de 12 Vcc. Para painel, a montagem em trilho DIN da série DDR com sufixo C é a construção usual; para placa, há módulos encapsulados na mesma faixa.

    Como converter 24 Vcc para 5 Vcc?

    A faixa de entrada correta é 18 a 36 Vcc, que cobre o barramento de 24 Vcc de painéis industriais com folga nas duas pontas. Com saída de 5 Vcc existem tanto módulos encapsulados de poucos watts, para soldar em placa, quanto unidades de trilho DIN para montagem no painel.

    Conversor CC/CC pode elevar a tensão?

    Pode. Há modelos que recebem 12 Vcc e entregam 24 ou 48 Vcc. O critério continua sendo a faixa de entrada declarada: ela precisa conter a tensão real do barramento, independentemente de a saída ser maior ou menor que a entrada.

    Qual conversor CC/CC usar em painel elétrico?

    Os de montagem em trilho DIN, que encaixam no mesmo trilho de 35 mm dos disjuntores e bornes. É a construção que dispensa furação e facilita a substituição da unidade, e cobre de 15 W a 480 W. Para potências maiores, a alternativa é a caixa fechada, fixada em painel ou base.

    O que significa uma entrada de 9 a 36 Vcc?

    Significa que o conversor opera com qualquer tensão contínua dentro desse intervalo, mantendo a saída regulada. É uma faixa larga (relação 4:1), indicada quando a entrada varia bastante — bateria em descarga, barramento compartilhado com cargas pesadas — ou quando o mesmo equipamento precisa funcionar em instalações de 12 e de 24 Vcc.

    Os produtos são originais e têm assistência no Brasil?

    Sim. Todo item que vendemos é coberto pela nossa garantia de originalidade Mean Well, e os produtos em estoque são despachados em até 24 horas após a confirmação do pedido. O pós-venda é feito no Brasil pelo nosso centro de manutenção, que conserta produtos Mean Well comprados em qualquer lugar do mundo e estende a garantia do item reparado por mais seis meses — sem precisar enviar nada ao exterior.